Lutero, o Filme
Início do século XXI, mês de Janeiro. Começa no país a exibição do filme que retrata a vida e obra deste homem antes descrito exibido nos cinemas mais próximos. Opa! Não em João Pessoa. Aparentemente o Estado é inteiramente ligado com a Igreja em nosso estado, não só o Estado, mas também os estabelecimentos de exibição de filmes, os quais são particulares e sem vínculo aparente com igrejas e(ou) religiões, ou não?
A pedido de uma igreja católica local, o cine Box e Multiplex não exibirão o filme Lutero( Luther 2005) na cidade, apesar de aparentemente não haver meios legais de censura em nossa constituição, liberdade de culto e liberdade de expressão o filme não será exibido na capital, enquanto será nas demais cidades do Brasil.
Talvez porque retornamos à Idade Média, quando os sacerdotes diziam o que podíamos e devíamos ler, fazer; o modo como deveríamos viver, nos vestir e agir e os efeitos dessa Reforma não chegaram ainda e de forma silenciosa e perspicaz, essa censura imoral e “despretensiosa” impediu um símbolo de libertação e atitude de ser dividida com a população de pessoas racionais e livres para escolher o que é bom ou mau segundo as leis e seu discernimento. Onde está o Estado que veta os evangelismos em Campina Grande durante o Encontro Da Nova Consciência Cristã ou durante a festa de Iemanjá? Onde está a igualdade garantida perante a lei para as pessoas de todo e qualquer credo?
O que aconteceu nessa cidade não é uma afronta à comunidade protestante local, é simplesmente uma afronta á liberdade de culto que poderia afetar qualquer religião ou movimento que envolvesse qualquer linha de pensamento ou credo. É a volta do cabresto, da censura, do coronelismo, de tudo que é vil e repressor que nossos pais e avós lutaram tanto no período de Vargas. O direito de votar, de opinar, de cantar, de se expressar e que hoje, por ser apenas um filme, deixa que as garras da manipulação voltem ao controle de nossas vidas.
Fico a pensar o que seria isso. Seria medo de que as pessoas despertassem pros erros cometidos antes que voltam a ser cometidos hoje, não só pelos católicos, mas também por evangélicos e tantos outros religiosos e ateus que dogmatizam seus credos forçando os demais a seguirem sua linha de raciocínio, quando os deixam pensar? Medo da quebra de paradigmas e formação de uma consciência totalmente liberta e livre para tomar suas decisões? Ou o medo de mostrar a diferença que um homem só pode fazer se realmente se doar a fazer o que acredita, a exemplo do principal personagem do filme em questão? É disso que as pessoas têm medo? Que a cultura de massa, de cópias seja substituída pela cultura de Luteros? Che Guevaras? Gandhis? Paulo de Tarso, apóstolo teve seus erros e mesmo assim foi o maior evangelista já encontrado até hoje, repreendendo inclusive o “primeiro Papa”, Pedro.
Cansa a todos as brigas entre as igrejas para saber qual delas representa o Supremo Criador, e que se sentem tão responsáveis pela salvação das pessoas que se esquecem de deixar que elas vivam ao menos. Talvez os agnósticos e ateus devessem, também pedir ao Box e ao Multiplex, que estes não passassem mais filmes religiosos quando algum desses chegasse aos cinemas, não por preconceito, mas por igualdade. Não tenhamos dois pesos e duas medidas. Ou surja um déspota esclarecido e volte também a vassalagem e os nobres, afundando de vez essa burguesia hipócrita na lama de onde ela surgiu.
Eduardo Leite



