sexta-feira, abril 08, 2005

Nietzsche e eu

- "Seja sincero", foi o que disseram. Se é pra ser sincero, serei.
Pra começar, não sabia que iria chegar aqui tão cedo, tão rápido. Mas enfim, não importa.
Eu estava cansado. Cansado de ver tudo dar errado. Cansado de ver tudo errado e não poder fazer nada. Quando eu descruzava os braços, só conseguia piorar tudo. Estava cansado de fazer tudo errado.
Demorei a perceber que quase sempre o errado era eu, e não os outros. Sabe quando você tem certeza de que está andando no caminho certo, e quando chega no fim da estrada há uma placa indicando que não há mais para onde ir e você tem de voltar? Pois é. Esse foi o meu caso.
Estudos, trabalho, família, amor, tudo. Tudo deu errado. É verdade que sempre fui um "cara legal", "uma boa pessoa", todos diziam esse tipo de coisa a meu respeito. Mas havia algo em mim que impossibilitava o sucesso. Tanto no colégio quanto na faculdade fui um aluno mediano. No trabalho era um bom funcionário. Talvez por ser "legal" demais, "bom" demais, não consegui alcançar posições melhores. Apenas cargos medianos. Ao menos tenho minha consciência tranquila, não me vendi ao sistema nem a ninguém.
Fui um filho que não deu problema a seus pais. Entretanto, não lhes dava atenção nem amor. Assim que tive oportunidade saí de casa para nunca mais voltar.
Com as mulheres fui pior ainda. Consegui afastar de mim a única mulher que realmente me amou. As que amei também. Seria engraçado se não fosse triste: a mulher que me amou, eu também amei, mas não tive coragem suficiente para admitir perante e enfrentar os que iriam se opor àquele amor proibido, resultante do adultério de ambas as partes. As outras foram embora pelo simples fato de eu nunca declarar meu amor por elas na hora certa: sempre cedo demais, sempre tarde demais.
Quanto a você, não preciso falar, você sabe. Nunca morri de amores por ti, mas nunca te deixei de lado. Não fiz tudo o que mandaste, mas nem por isso sou pior que os outros. Sou teu filho, mereço teu perdão.
Apareça! Quero lhe ver!
- Deus está morto, filho.
- Nietzche?
- E nós também.
Rafael Rodrigues

1 Comentários:

Às 10:38 PM , Anonymous Anônimo disse...

Caramba ... adorei o texto .. vou roubar ele e colocar no meu flog ... e ainda vo fazer propaganda viu!! hehehehehe

Já disse ... o primeiro exemplar do seu livro é meu!

 

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