sábado, junho 25, 2005

Ezequiel - I

Já eram mais de três horas da manhã. E ele continuava acordado. O motivo não poderia ser mais simples: havia dormido a tarde inteira. Gastou todo seu sono em algumas horas.

Sabia que deveria tentar dormir mesmo assim. Estava prolongando a sua ida para o quarto não sabia muito porquê. De frente para a tela do computador procurava o que fazer, o que ler. Não havia nenhum amigo virtual para conversar. Estava só.

Sua idade? Vinte anos. Seu nome? Ezequiel. Atividades: estudante de direito. Talvez isso bastasse para descrever o personagem dessa história. Mas não basta.

Ezequiel não é um jovem normal. Seu passado o perturba e o condena a um futuro que também o condenará quando for passado. Seu presente é uma caixa de bombons barata dos quais ele não gosta.

Quando criança viu coisas que não queria ter visto. E não consegue esquecê-las. Ezequiel poderia tornar-se um psicopata. Desses que entram em cinemas e atiram em todo mundo. Clichês. Ezequiel detesta clichês, apesar de ser um. Mas entre ser um clichê gritante e ser um clichê normal – como todos são e por todos serem ninguém nota – ele prefere a segunda opção.


Continua...
Rafael Rodrigues

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